Índios da etnia Enawene-Nawe e Cinta Larga comunicaram nesta segunda-feira, 28, que cobrarão pedágio dos motoristas na BR 174 no km 110, próximo a roda d’água como é conhecido o trecho da rodovia federal que liga Vilhena à cidade de Juína (MT).
Em entrevista e carta enviada ao Ministério Público Federal, Prefeitura e Câmara Municipal de Juína, Superintendência de Assunto Indígenas de MT, IBAMA, ICMBIO, DNIT, Prefeitura de Vilhena, ASCOM Juína e imprensa da região, os indígenas disseram que desde o inicio e agora a reabertura da BR 174, que passa no meio das terras deles, trouxe paralelamente problemas graves e impactos de ordens diversas, especialmente em relação a degradação dos recursos naturais e culturais. Ainda segundo eles, essa rodovia motivou diretamente a exploração de madeiras e minérios e provocou a acelerada e forte ocupação do entorno com atividades do agronegócio, mineradoras, cidades, vila e assentamentos rurais. Com esses avanços, projetaram e projetam continuamente resíduos químicos nos rios que permeiam as aldeias.
Com base nesses e outros problemas, os índios Enawe-Nawe e Cinta larga, tomaram a decisão de cobrar pela passagem de trânsito dentro das reservas, cobrança que segundo os índios, visa compensar os danos causados aos povos em razão da referida BR desde o inicio até a presente reabertura.
A cobrança de pedágio na BR-174 será continua. Os valores já foram definidos pelos índios. Para veículos maiores será cobrado o valor de R$ 50 (caminhão, carreta e onibus), caminhonete R$ 40, R$ 30 para carros de passeio e R$ 10 para motocicletas.