Fazendeiro diz desconhecer motivação do ataque

Por telefone, um dos membros da família Fontes, dona da fazenda onde aconteceu uma chacina em Vilhena no último sábado, comentou o episódio em entrevista exclusiva ao FOLHA DO SUL ON LINE. A conversa, por telefone, aconteceu no início da semana, quando ainda era tenso o clima na cidade, por conta da brutalidade da ação dos criminosos.
Ressalvando que ainda não dispõe de todas as informações sobre o massacre, mas acompanha com apreensão as investigações, o empresário Caetano Fontes Beltran, que falou pela família, garantiu: “Nossos advogados estão lidando com a situação e oferecendo o suporte às famílias das vítimas”.
Fontes revelou que a área em conflito tem 2 mil hectares e é produtiva, inclusive mantendo um plano de manejo florestal.  Com a consolidação do manejo, o que só acontece após 25 anos, a terra poderá ser usada em outras atividades agrícolas. “Mas, no momento, ele é ainda mais produtiva que qualquer outra, pois permite a conservação da mata nativa para a extração de madeiras obedecendo as normas ambientais”.

A INVASÃO

Segundo Caetano, em junho deste ano a fazenda, que fica numa região conhecida como “Farinheira”, a cerca de 70 km da área urbana de Vilhena, foi invadida por sem-terra. Os donos entraram na justiça e a polícia foi até lá, junto com representantes do Incra, para mostrar que o imóvel era documentado em nome dos atuais donos havia quase 20 anos.
Durante a reunião, os invasores se mostraram irritados com o Incra, mas prometeram deixar o local pacificamente, caso a justiça assim determinasse. Nesta mesma data, no final do mês de setembro, os sem-terra foram avisados de que, no dia 14 de outubro, ônibus seriam providenciados para retirá-los do local.
No dia marcado, ou seja, uma semana atrás, a PM retornou e não encontrou ninguém na área. Fontes, então, tranqüilizado pela perspectiva de reocupar o imóvel sem qualquer violência, mandou os empregados para a terra.

O ATAQUE SURPRESA

O fazendeiro contou que, no dia da tragédia, os servidores efetivos da propriedade (dois) e os temporários (também dois), além de vizinhos, estavam na sede da fazenda, quando algumas motos passaram em frente à casa. Pouco tempo depois, um grupo teria saído de dentro da mata já abrindo fogo.

OS MOTIVOS

Caetano disse não entender as razões da ação tão brutal. “Não existe explicação lógica para tamanha covardia contra pessoas pegas de surpresa”, argumentou, falando de Maringá (PR), para onde os Fontes retornaram para tratar de problemas de saúde de alguns membros do clã.