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Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019

Arte e Cultura

22/10/2019 12:10:00

Acadêmicos de Direito confeccionam bonecas quilombolas em aula de Antropologia e relembram sofrimento de escravos


Evento trouxe reflexões acerca da efetivação do Estatuto da Igualdade Racial 
 

Acadêmicos do 2º período vespertino e noturno do curso de Direito da Unesc, em Vilhena, tiveram uma aula diferente dentro da disciplina de Sociologia e Antropologia. Para “dar vida” a uma aula especial voltada à análise dos Direitos dos Povos Quilombolas, a professora Liduína Girão, responsável pela disciplina, convidou a pedagoga e Mestre em Educação Ambiental pela UFMT,  Amanda Martins de Espíndula, para participar da aula. Amanda desenvolveu sua dissertação de mestrado com o tema “Entre linhas e Nós”, na comunidade do Quilombo “Mata Cavalo”, situado no Estado do Mato Grosso.
 
Amanda, que é professora da rede municipal de ensino em Vilhena, levou aos alunos de Direito, rico conhecimento adquirido em três anos de trabalho junto a outros pesquisadores da UFMT. Juntos, eles traçaram o perfil e identificaram diversas necessidades e o desenvolvimento sócio-econômico e cultural dos quilombolas, principalmente após a aprovação do Estatuto Racial.
 
A intenção da palestra foi levar os alunos à reflexão quanto ao papel da Constituição, a partir do Estatuto da Igualdade Racial, no que diz respeito às questões ligadas aos direitos fundamentais. Diversos exemplos das lutas históricas do povo quilombola foram abordados e discutidos com os alunos. Houve grande participação dos acadêmicos que, em sua maioria, conheciam superficialmente a origem e história dos quilombolas.
 
No final, a narração de uma história que deu origem a uma boneca, virou aula prática. Contam os livros de história que as mulheres tomadas como escravas com seus filhos ficavam entre 60 e 90 dias dentro dos navios a caminho do Brasil. Durante a viagem, para minimizar o sofrimento das crianças, elas rasgavam pedaços das bordas dos vestidos e enrolavam nas próprias mãos, confeccionando pequenas bonecas de retalhos para que as crianças pudessem ter alguns momentos de alegria.
 
Os acadêmicos das duas turmas foram convidados a confeccionar as bonecas para terem a experiência de como essas mães se sentiram naqueles momentos de angústia vividos na época. Praticamente todos os alunos produziram lindas bonecas que, historicamente, simbolizam a resistência do povo quilombola e a importância da aula que narrou com tanta propriedade a sua história de luta.
 
Para a professora Liduína, da Unesc, a palestra despertou a curiosidade dos acadêmicos em compreender a vivência das pessoas residentes no quilombo de Mata Cavalo. Uma região tão próxima, mas com realidade tão distinta. “Como professora da disciplina de Sociologia e Antropologia, foi gratificante dividir a fala com uma pesquisadora de tamanho comprometimento e competência como a Professora Amanda, além de trazer reflexões acerca da efetivação do Estatuto da Igualdade Racial ”, disse a docente.
 




Fonte: Foto: Divulgação
Autor: Paulo Mendes

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