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Terça-feira, 25 de Junho de 2019

Política

04/06/2019 11:17:00

Debate sobre Reforma da Previdência em Vilhena reuniu deputados estaduais e federais, e um deles causou polêmica


Expedito Netto disse que militares das Forças Armadas “coçam saco” o tempo todo

Com a presença de deputados estaduais e federais de Rondônia, uma audiência pública para debater a Reforma da Previdência aconteceu no final da tarde de sexta-feira, 31, no auditório da Prefeitura Municipal de Vilhena. O evento foi organizado pelo SINPROF – Sindicato dos Professores do Estado de Rondônia, sob o comando da professora Janete Maria Warta, em conjunto com STTR, SEEB, SINASEFE, ADUNIR, SINTERO, SINDSUL, DCE/UNIR, GREMIO/IFRO, PJ/CATÓLICA, CPT/CATÓLICA, PFP/CATÓLICA, ASPROVERA, ASSPREP.

De acordo com o SINPROF, “o objetivo da audiência foi realizar um debate com os representantes da bancada na Assembléia Legislativa e na Câmara Federal e a população civil organizada, sobre o Projeto da Reforma da Previdência, que impactará, de uma forma ou de outra, a vida de todos nós, em especial os professores, que em razão das características da profissão, temos garantia constitucional de aposentadoria especial”.

Da bancada federal estavam presentes os deputados Expedito Netto (PSD), Jaqueline Cassol (PP) e Mauro Nazif (PSB). Já da Assembleia Legislativa de Rondônia compareceram os deputados Luzinho Goebel (PV) e Lazinho da Fetagro (PT). Os vereados Samir Ali e Adilson Oliveira, ambos do PSDB, Wilson Tabalipa (PV) e Valdecir Zapata (PSB), de Cerejeiras, também fizeram parte da mesa.

Para cada deputado federal, foram dados 10 minutos de fala, para que expusessem suas opiniões sobre o assunto que estava em pauta. A primeira a dar a palavra foi Jaqueline Cassol, que disse acreditar que o Brasil precisa de uma reforma, “mas não do jeito que está sendo proposta”.

A deputada afirmou que tem-se batido na tecla de que a Reforma da Previdência salvará o país, mas na prática não é bem assim. Ela comenta a necessidade de uma reforma tributária e a cobrança de devedores, para que seja feita uma nova proposta justa e igualitária, “cortando os privilégios, cortando os grandes salários, porque aí todo mundo vai sentir um pouquinho para fazer um Brasil melhor. Só que, hoje, do jeito que ta,  não tem como, é muito difícil”, disse.

Mauro Nazif foi direto no discurso e iniciou sua fala com a afirmação de que é contra a Reforma da Previdência porque, a seu ver, em dez anos o Brasil será um país miserável. O deputado disse que com duas medidas a situação atual do país poderia ser mudada. 

“É só revogar os dividendos e os juros junto à Receita Federal, junto ao Imposto de Renda, que nós não precisamos fazer uma tragédia dessas. Duas coisas, mas estão optando pelos que menos tem. Então, eu de cara, do jeito que ela vier, sou contra”, afirmou. Ele disse ainda que se a projeto fosse bom, o Governo Federal não estaria indo atrás dos parlamentares para pedir que eles votem favoráveis, e sim os deputados que buscariam ser “os pais da criança”.

Pelas palavras de Expedito Netto, a bancada federal de Rondônia tem estado em união. O deputado garante que ela é renovada, diferente, nova e tem trabalhado muito bem.

Ele também defendeu que os privilégios devem ser cortados, a começar pelo setor público. Netto ressaltou a importância do trabalhador rural que “se sacrifica todos os dias para botar alimento na boca do brasileiro. E, quando eu falo trabalhador rural, eu não digo agronegócio, eu digo agricultura familiar, o pequeno agricultor”, frisou.

Ao defender o corte de privilégios, Expedito questionou a função de um militar do Exército, das formas armadas. O comandante do Corpo de Bombeiros de Vilhena, Merycles Guedes, que estava entre o público da audiência, disse ser a defesa da pátria, e foi rebatido pelo deputado federal, que respondeu que mesmo morando em região de fronteira, nunca viu um militar das Forças Armadas pelas ruas, em serviço. 

“Eu acho uma vergonha a PM ser colocada no mesmo patamar das Forças Armadas. O PM sai na rua para enfrentar o crime organizado, o PM sai na rua para prender bandido, e um militar das Forças Armadas coça o saco dia e noite, e pegando dinheiro do povo brasileiro”, disse, e sendo rebatido logo em seguida por Guedes, que frisou o fato de o país já ter tido conflitos em um passado não muito distante, e por isso o Brasil não foi invadido.

A discussão se prolongou por alguns minutos, mas, em seu discurso seguinte, o deputado federal disse ser uma vergonha comparar as Forças Armadas com a Polícia Militar, e reforçou que ir à rua e gritar “um dois, feijão com arroz; três quatro, feijão no prato” nunca vai ser trabalho. Além disso, o parlamentar elencou os benefícios recebidos pelos agentes das FAs, como ter o direito a um hospital diferenciado do que a população tem, ganhar cursos de graduação e pilotagem, e a ainda garantem uma boa pensão para suas viúvas. 

“Nós devemos combater os privilégios. Eu não tenho como ficar sem falar de um aposentado que o salário vai cair de mil para 400 ou 500 reais. Como alguém vai sobreviver?”, questionou. Netto ainda aproveitou para pontuar o que Nazif tinha dito anteriormente, sobre o país se tornar um país de miséria, e ressaltou que os mais afetados serão os idosos.

“Quando você não tiver mais condições de trabalhar, todo aquele dinheiro que você juntou, todo aquele dinheiro que você investiu, infelizmente o governo brasileiro vai te dar uma banana, e isso eu não posso aceitar, isso eu não posso votar. E, pode ter certeza que o meu posicionamento é em defesa das pessoas que mais precisam, que precisam da máquina pública, da mão o Estado; elas sempre vão poder ter o meu voto e contar comigo”, finalizou.

Após as falas dos deputados federais, os outros parlamentares também receberam a palavra, assim como o microfone foi aberto ao público. O objetivo era que os representantes de Rondônia em Brasília soubessem as opiniões dos eleitores do Estado sobre a proposta, já que eles votarão.




Fonte: Folha do Sul
Autor: Jéssica Chalegra

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