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Domingo, 18 de Agosto de 2019

Geral

09/08/2019 09:42:00

Engenheiro civil pioneiro em Vilhena lança manifesto e divulga cartilha antes de se aposentar

Washington Jaremko chegou na cidade no final da década de 1970

Se preparando para a aposentadoria, o que deve acontecer no próximo ano, segundo ele próprio, o engenheiro civil Washington Jaremko divulgou à imprensa o manifesto “Em defesa da Engenharia Vilhenense”. 

Em visita à redação do FOLHA DO SUL ONLINE, Jaremko, que chegou em Vilhena na década de 1970, mais precisamente em setembro de 1978, disse não entender porque os profissionais atuais da engenharia não se manifestam sobre as questões que envolvem o próprio segmento e a população. “Na minha época, qualquer coisa que acontecesse da engenharia a gente vinha dar respostas à sociedade. As pessoas tinham o contato com a gente. A gente tinha a obrigação de responder, e íamos às rádios, para esclarecermos as questões”, lembrou. 

Aos 63 anos, 41 deles passados em Vilhena, Jaremko lança a cartilha “Engenharia em Vilhena, Resgatando a História e Projetando o Futuro” (que pode ser acessada aqui) na qual aborda diversos assuntos, como o histórico do planejamento urbano de Vilhena. 


Veja íntegra do manifesto

EM DEFESA DA ENGENHARIA VILHENENSE

Há muito estou me preparando para dar início à aposentadoria como engenheiro civil. Sou pioneiro como engenheiro na cidade de Vilhena,porém não como cidadão, já que há diversos que me antecederam, tais quais Zanoecê, Fontinelli, Queiroz (dos Srs. Donato e dona Josefa), Morimoto,Kameya, Sato,Hattori, Mailho, Barros (dos Srs. Gilberto e Hélio),  Horta Pereira, Pe Ângelo Spadari “in memoriam”, Regert, Dal Toé, Milani, Barros, Santini, Oliveira, Negri, Almodóvar, Schuastz, Santini, Maciel, Selhorts, dos Santos, Grasso, Magalhães Elias, Mendes (da família do Mauro e da vereadora Ivone), Mattos, Kussmaul, Graebin, Wobeto, Gasparin, Gasparian, Freitas (dos Srs. Moisés e Joaquim), Maciel, Aguiar, Toledo, Bozza, Schneider, Lopes, Gomes, Mohamed, Atalla, Sadek, Negri, Terra Rica, Regis (“da famosa serra”), Jakemiu, Rigo, Martinowski, Carlotto, Zeni, Pagangrizo, Bagatolli, Linares, Dantas, Tabalipa, Correia e Gomes Correia, Dalamarta,Tomazoni, e tantos outros da mesma importância que já haviam transformado essa “vila de Vilhena” em um local de futuro promissor e propício para nos receber. Inicio, assim, esse processo de liberação de espaço para novos e promissores colegas de formação. 

A História da Engenharia no Cone Sul do Estado, bem como no Estado como um todo, é marcante.Venho, desse modo, oferecer mais uma “cartilhinha” – cuja realização era há muito tempo um sonho para mim – para contar um pouco desta História, o que me foi permitido fazer e do que participei em 40 anos vividos como Engenheiro Civil nestes rincões, dedicado ao serviço público em um único emprego.Esse material estádisponibilizado em PDF, podendo ser reproduzidocomo um todo ou em partes, e está aberto à críticas, sugestões e observações.

Apenas para aguçar os interesses, começo falando do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, o qual, apesar de não ter cursado oficialmente engenharia, herdou título de engenheiro por já contar, à época da estruturação dos cursos superiores, com conhecimentos profundos na área, além de ampla experiência. É importante lembrar que,nesse período, os Engenheiros Militares possuíam capacitação para lidar com a parte de edificações, bem como com táticas de guerra. Sempre procurei me manifestar quando a comunidade buscava entender o que a engenharia local queria ao apresentar qualquer novidade que ensejasse dúvidas sobre o estudo preliminar, anteprojeto, projeto, execução ou qualquer medida “estranha” aos cidadãos que iriam,no futuro,pagar por e/ou usufruir do resultado final. 
 
Diante de tantos episódios que vêm se acumulando, colocando nossa engenharia em cheque e no fundo do poço, e considerando que outros colegas não se manifestaram – inúmeros dos quais com conhecimentos superiores aos meus em vários assuntos, por terem recebido ou se voltado para áreas da engenharia com as quais possuo menos aptidões ou tive menos oportunidades de desempenhar ou atuar –, sinto-mecompelido a me manifestar com relação a questões como:

A) – As confusões com um setor que estudei com afinco, o saneamento básico,dado que minha faculdade o priorizava; eleincluiáguas pluviais e combate à erosão. É bom lembrar que cursei a universidade em Maringá, onde se estuda o Noroeste do Paraná, com destaque para a cidade onde me criei, Umuarama, além de Cianorte e Paranavaí, o Arenito Caiuá, a expansão urbana e efeitos colaterais como erosões e até voçorocas.Isso leva a afirmação de que não é possível iniciar qualquer Plano Diretor ou Estudo de uso do solo voltado para a definição de um perímetro de expansão urbana sem a prévia elaboração de um estudo “Geomorfológico”, o qual já chegou a ser oferecido para Vilhena por representantes do DNPM a custos muito baixos e não despertou, até o momento, o interesse dos responsáveis.

B) – As inúmeras confusões geradas pelo despreparo e falta de equipe técnica completa de suporte dos “responsáveis” ao tratar do sistema de abastecimento de água e do sistema de coleta e tratamento de esgoto.Confunde-se, por exemplo, lençol freático com lençol subterrâneo, não sei se por desconhecimento ou má-fé.

C) – cheguei a ouvir, em mais de uma oportunidade, que o “Planejamento Urbano” em Vilhena nunca fora preocupação de ninguém, e a partir de agora essa barbárie praticada contra nós cidadãos vilhenensesserá mudada, e num passe de mágica, para a solução dos problemas criados ao longo dos 41 anos de Município e anteriormente quando éramos distrito de Porto Velho. Não posso me calar diante desta blasfêmia, pois assisti às e participei das medidas tomadas pelos Governos Humberto da Silva Guedes,que governou por cinco anos, Jorge Teixeira de Oliveira por seis anos e do apoio técnico e financeiro prestado pela SUDECO nesses 11 anos, num sem número de oportunidades. Gostaria de render homenagens a alguns personagens, com os quais pude conviver, em nome dos quais homenagear também a todas as equipes que atuaram em benefício de Vilhena e do Cone Sul de Rondônia: Secretários de Planejamento Luiz César A. Guedes e Renato da Frota Uchôa; Arquiteto Luiz Antônio da Costa e Silva; Economista Luiz Flávio Zamuner “in memoriam”; Dr. Rene Pompeu de Pina e Eng. Humberto de Campos da SUDECO; 

D) – Apenas para fechar o ciclo de comentários sobre as agressões à nossa profissão, acabamos de assistir a transferência da superintendência do DNIT (antigo DNER para mim a Embrapa da Engenharia Rodoviária, Ferroviária, Hidroviária, de Aeroportos, Portos, etc) em razão da descoberta de corrupção generalizada envolvendo também seu corpo técnico e várias das empreiteiras já conhecidas por atuarem de forma não republicana, não só em Rondônia. Para nós, de Vilhena e Cone-Sul, que sempre fomos prejudicados em razão de sermos os mais distantes das decisões tomadas de Porto Velho, ficaremos agora na dependência das decisões de Manaus. Eu que graças a Deus, aos meus Pais e inúmeras pessoas e famílias que acabaram por me adotar neste 40 anos, aos quais quero também render homenagens na pessoa do Sr. Bonifácio Almodóvar, o qual teve a paciência de aceitar um Engenheiro Civil recém formado junto consigo lado a lado, oferecendo a sombra e todo o cabedal de conhecimento, experiência e conduta de cidadão exemplar, o que me facilitou/viabilizou a possibilidade de passar por inúmeros órgãos e setores e por último o valoroso Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia, nestepor mais de uma década, sem em nenhuma oportunidade viesse a responder ao menos a um processo administrativo (não quero com isso dizer que todos os que respondem a quaisquer processos são diferentes de mim, vez que sabemos que existem perseguições, armações e injustiças que levam aos mesmos, apenas dizer que além dos elencados que me ajudaram chegar a isso, devo ter tido “sorte” também). Quero deixar no ar algumas indagações: Desde quando estas práticas de corrupção vinham ocorrendo na Superintendência do DNIT em Rondônia? Se todas as Superintendências do DNIT do nosso Brasil passassem pelo mesmo processo, será que haveriam Superintendências suficientes para receber as que de alguma forma apresentassem problemas similares?  Não teria sido melhor para Rondônia passar por uma intervenção/auditoria, sanar os problemas e voltar revitalizada?

 E) – Aproveito para apresentar uma boa notícia para a Engenharia local, cumprimentando a atual administração pela nomeação do Eng. Eduardo Fernandocomo Secretário Adjunto do Planejamento, ao mesmo tempo aproveito para rememorar a administração que o Município conta em seu quadro com outros profissionais igualmente concursados e qualificados: 10 Engenheiros Civis; 1 Engenheiro Eletrecista; 2 Engenheiros Agrônomos, 1 engenheiro ambiental e 3 Arquitetos, sobre os quais não tenho nenhuma dúvida poderão no momento oportuno serem utilizados em qualquer função na atual administração, estou certo que também agregando suporte técnico e melhoria de performance a diversas outras secretarias e departamentos.

Eng. Washington Luiz Jaremko – CREA 7714/D-PR
Correção: Natália Vicente Jaremko





Fonte: Folha do Sul
Autor: Rogério Perucci

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