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Domingo, 18 de Agosto de 2019

Cotidiano

11/02/2019 20:20:00

Interventor em presídio de Vilhena explica revista em celas e ameaça suspender visitas a presos “rebeldes”


Primeiros dias de atuação da Polícia Militar teve revista e princípio de rebelião 

Desde o dia 05 de fevereiro, o Centro de Ressocialização Cone Sul (CRCS), unidade prisional instalada nos arredores de Vilhena, está sob intervenção da Polícia Militar. Nomeado interventor, o Capitão Aldimas Ferreira, concedeu entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira, 11, para falar sobre as primeiras ações à frente do presídio. 

A coletiva aconteceu na sede do 3º Batalhão de Polícia Militar em Vilhena, e contou com a presença do Comandante do 3º BPM capitão Carvalho, que fez um breve relato sobre a intervenção. 

De acordo com o comandante, após alguns dias da operação-padrão, desencadeada pelos agentes penitenciários, chegou até a corporação  relatos de problemas de ordem administrativa e operacional dentro do presídio Cone Sul. “Esses problemas começaram a afetar diretamente a Polícia Militar, como por exemplo, a escolta de presos, e até na segurança da carceragem, devido ao número insuficiente de agentes penitenciários em serviço; foi realizada uma reunião entre os órgãos de segurança pública e decidido que a PM iria intervir no Presídio Cone Sul”, disse o comandante. 

Segundo o comandante Carvalho, não há o afastamento de nenhum agente penitenciário, nem de membros da diretoria administrativa da unidade prisional. “O que há é uma gestão compartilhada, é um trabalho em conjunto, a diferença é que as ordens tanto do setor administrativo quanto do operacional são emanadas pelo interventor; todos aqueles que estão trabalhando no presídio passam a ter uma subordinação direta ao interventor”, explicou Carvalho, que concluiu afirmando que a finalidade da intervenção é garantir que os direitos constitucionais dos presos sejam respeitados, e citou como exemplo o direito a visitas que, por causa do número insuficiente de agentes na ativa, não eram realizadas. 

Ainda de acordo com o comandante, os demais estabelecimentos prisionais de Vilhena não estão sob intervenção, estão funcionando normalmente, dentro da operação padrão que está sendo realizada pelos agentes penitenciários.       

O Capitão esclareceu ainda que o 3º BPM recebeu reforço no efetivo para a formação da equipe de intervenção, afim de não prejudicar o andamento dos trabalhos realizados cotidianamente nas ruas de Vilhena.  

REVISTA NAS CELAS
Nas primeiras horas do sábado, 09, a equipe da Intervenção realizou uma vistoria minuciosa nas celas e retirou uma caçamba de objetos ilegais,  como “chuchos”, aparelhos celulares e até martelos, e que julgou desnecessários, como televisores e até roupas de alguns detentos que a administração temporária entendeu ser muito mais do que ele precisa dentro do presídio.  “A primeira ação operacional foi a revista das celas, porque entendemos que ela é primordial para a segurança, tanto dos presos quanto dos agentes penitenciários e policiais militares que trabalham ali”, disse o Capitão Aldimas, interventor do CRCS. 

O interventor esclareceu que os objetos de valor, como televisão, por exemplo, foram catalogados e estão acondicionados no presídio, e na próxima visita, ao identificar os familiares do preso, estes equipamentos serão entregues a eles. 

PRINCÍPIO DE REBELIÃO
Capitão Aldimas revelou que na manhã do domingo, 10, houve um princípio de rebelião na Ala B, quando as portas de quatro celas foram danificadas. “Eles arrombaram as portas e quebraram as paredes, sendo necessária a intervenção do PATAMO para a retirada deles para que o conserto das portas e paredes fosse feito”, disse o comandante, que revelou ainda que quatro presos que investiram contra os militares foram alvejados com munição anti-motim. Os feridos receberam atendimento médico. 

O interventor disse que não foi ainda possível concluir os reparos necessários nas celas e os presos foram redistribuídos em outras. “A previsão é a de que nesta terça-feira os reparos sejam concluídos”, disse.

VISITAS
O Interventor afirmou durante a entrevista que as visitas serão normalizadas esta semana. Mas, fez uma ressalva: “Eu acredito que esta semana o pessoal do Pavilhão A, que não causou nenhum tipo de problema, já deva receber a visita normalmente; agora, o pessoal do Pavilhão B está em observação, e se a gente notar alguma animosidade por parte deles no decorrer da semana, e se eu entender que isso possa ser um risco para os familiares, a visita vai ser suspensa, então a visita na Ala B vai depender do comportamento deles”, explicou o capitão. 

SUPERLOTAÇÃO E FACÇÕES RIVAIS
Com capacidade para receber 254 presos, o Cone Sul hoje tem, segundo o interventor, 370 detentos que ficam em celas distribuídas em duas alas: A e B. Sem quantificar, o interventor confirmou a presença de membros de facções rivais que tiveram origem no Rio de Janeiro e em São Paulo, e que eles são mantidos em alas diferentes, sem qualquer contato. 

Ao falar da revista nas celas, o Capitão Aldimas revelou que foram encontrados 16 aparelhos celulares, e admitiu que esses aparelhos poderiam ser usados para orientar comparsas que estão em liberdade a cometerem crimes. 




Fonte: Folha do Sul
Autor: Rogério Perucci

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