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Terça-feira, 25 de Junho de 2019

Terra

31/05/2019 10:25:00

De olho no clima e na briga dos EUA com a China, agricultores começam colheita de milho na região de Cerejeiras


Produtividade do grão tem tudo para ser boa, mas preço está baixo

Uma parte dos agricultores da região de Cerejeiras já começou a colheita de milho. Com um olho no cenário externo e com outro na lavoura, os produtores esperam boa produtividade do cereal, mas também fazem  reclamações.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Cerejeiras, Jair Roberto Gollo, a colheita do milho ainda está apenas no início. “Só alguns produtores da região começaram a colher”, disse. Na região, a colheita vai do fim de maio ao final julho.

CENÁRIO EXTERNO
A respeito do cenário externo, a situação da agricultura americana pode alterar os preços do milho brasileiro para esta colheita, por dois motivos. A primeira razão, de ordem geopolítica, é sobre a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que ainda persiste. Sedentos por grãos, os chineses deverão recorrer ao Brasil para comprar o milho que eles não poderão adquirir nos Estados Unidos por conta da elevação das tarifas de exportações impostas pelo presidente americano Donald Trump. Este cenário pode forçar o preço do milho no Brasil para cima por causa da forte demanda chinesa.

O segundo motivo, além desta questão comercial americana: uma onda chuvas cai sobre as lavouras americanas. Por conta disso, há problemas na produção de soja nos Estados Unidos, o que pode forçar os americanos a plantarem milho. Se isso se confirmar, a perspectiva de superprodução de milho pelos produtores estadunidenses deverá forçar os preços do cereal no Brasil, mas para baixo.

O agrônomo Hugo Dan, da AgroFarm/GEPDC, empresas de pesquisa de Cerejeiras, está nesta semana viajando para os Estados Unidos. Por WhatsApp, o agrônomo confirmou ao FOLHA DO SUL ONLINE que as chuvas estão castigando as lavouras americanas. “As regiões mais produtivas de milho nos Estados Unidos são as áreas em que os produtores estão mais preocupados, pois o cereal é bastante sensível ao excesso de umidade no solo e à baixa luminosidade. Caso os americanos não consigam plantar todo o milho por causa das chuvas, então pode haver uma imigração para a cultura da soja, pois os americanos não gostam de se valer do seguro de safra. Se esta previsão se confirmar, essa superprodução americana vai afetar o mercado mundial da soja, incluindo o Brasil”, disse o agrônomo.

PRODUTORES RECLAMAM DAS TRADES
Um produtor rural de Cerejeiras, que prefere não se identificar, está começando a colher o milho. A preocupação maior dele, segundo afirma, é com as conhecidas “trades”, ou seja, grandes empresas compradoras de grão. “As trades estão judiando muito do produtor. Eles estão pagando R$ 22,00 a saca de milho, sendo que o preço real poderia estar na casa dos R$ 28,00”, disse o agricultor cerejeirenses.

PERSPECTIVAS DE PRODUTIVIDADE
Segundo consultorias especializadas, a produtividade média do milho para a região de Cerejeiras nesta safra deverá ficar na casa das 60 sacas por hectare. O clima, tanto na semeadura quando agora na colheita, está sendo favorável.




Fonte: Folha do Sul
Autor: Rildo Costa

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