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Domingo, 23 de Fevereiro de 2020

Saúde

29/11/2019 17:41:00

Secretário de Saúde e diretor de hospital dão ultimato a prefeituras e ameaçam não receber mais pacientes de cidades vizinhas


“Vilhena é uma mãe para o Cone Sul, mas até a mãe tem limitações”
 
Em reuniões nesta semana, a Prefeitura de Vilhena exigiu dos secretários de Saúde das cidades do Cone Sul que adequem seu atendimento para evitar que milhares de pacientes por mês precisem vir para o Hospital Regional. Nos encontros das CIRs (Comissões Intergestoras Regionais), a Secretaria Municipal de Saúde expôs que está fazendo atendimentos em Vilhena que poderiam ser realizados nas cidades de origem dos pacientes. Mostrou ainda que recebe da União menos do que gasta com esses atendimentos e enfrenta superlotação no Regional, causada por pacientes vindos de fora do município, que chegam a ocupar até 40% de algumas alas da unidade.
 
“Gastamos três vezes mais do que o SUS nos repassa. Estamos sufocados. Estão pedindo para a gente realizar algo que não tem como. As outras cidades pedem procedimentos que não estão pactuados. Vilhena é uma mãe para o Cone Sul, mas até a mãe tem limitações. Nós recebemos os pacientes de fora e tentamos fazer o melhor que podemos aqui, mas estamos atendendo pessoas que não precisariam vir para cá”, revelou, em reunião anterior, o diretor do HRV, Faiçal Akkari.
 
Sendo esta “mãe” para o Cone Sul, a Saúde de Vilhena é a que menos encaminha pacientes para os serviços de saúde estaduais dentre todas as regionais de Rondônia. Vilhena também foi a cidade de Rondônia que alcançou mais metas da Vigilância em Saúde através de seu programa de qualificação. Mesmo assim, o envio de muitos pacientes para Vilhena “sufoca” os atendimentos da cidade. “O volume de gente que chega aqui é até cinco vezes maior do que está pactuado. Eu não gostaria de chegar ao extremo de parar de atender vocês, cidades vizinhas, mas estamos no limite”, evidenciou o secretário municipal de Saúde, Afonso Emerick.
 
Excetuando a folha de pagamento, a Saúde observa gastos crescentes nos últimos três anos: R$ 18 milhões em 2018, R$ 22 milhões em 2019 e previsão de R$ 26 milhões para 2020. O aumento também foi percebido no número de leitos do HRV, que pulou de 184 para 207. “Mesmo assim, está sempre lotado. Isso é muito injusto com a população vilhenense. Os  centros cirúrgicos de Cerejeiras e Colorado estão fechados há vários anos. Fiz um levantamento. Teve um dia que havia 15 pacientes de Cerejeiras aqui em Vilhena, enquanto tinha apenas quatro no hospital de lá, que tem 40 leitos. O que está acontecendo?”, questionou Afonso.
 
AS CAUSAS DO PROBLEMA
O médico e diretor técnico do Hospital, Wagno da Mota Comini, também em uma das reuniões das CIRs, comentou as principais causas do excesso de encaminhamentos de pacientes do Cone Sul para Vilhena. “Cerejeiras não consegue fazer os exames básicos para manter os pacientes internados e por isso eles acabam vindo para Vilhena. As outras cidades do Cone Sul investem na dita ‘ambulância-terapia’, enviando tudo para fora, até para fazer um simples raio-x. No entanto, os gastos com salário de motorista, combustível, especialistas em saúde, desgaste do veículo, tempo e desconforto do doente, expondo ele a riscos, muitas vezes são maiores do que tratar bem o paciente dentro de sua própria cidade, se a rede de saúde do município deles fosse melhor”, diz.
 
O médico salientou enfaticamente para os municípios melhorarem o atendimento básico da Saúde. “É esse atendimento inicial que realmente salva vidas. Um caso de sepse, que é a complicação de uma infecção, por exemplo, exige antibiótico na primeira hora. Cada hora que atrasa, aumenta 20% o risco de morte. Depois de se preparar veículo e transportá-lo até Vilhena, o paciente já chega aqui com risco de 40% de morte e vamos precisar gastar muito mais para recuperar essa situação. Aí, o tratamento que seria de cinco dias se estende a até 20 dias, ocupando nossos leitos e onerando o município de Vilhena. Sem falar no custo em vidas”, revelou.
 
E A SOLUÇÃO?
Além da melhora no atendimento primário nos municípios do Cone Sul, Afonso revelou outras medidas que estão sendo tomadas para resolver a problemática. “Não acho justo um paciente ficar em nossa ortopedia esperando 40 dias por vaga em Cacoal. Vamos propor ao Governo que nos passe o valor do atendimento. Tendo o recurso financeiro, podemos fazer essas cirurgias aqui em Vilhena. É mais barato e melhor para o paciente”, garantiu.
 
A Prefeitura de Vilhena também trabalha na prevenção, com o objetivo de evitar problemas graves no HRV. De 2017 para 2019 os atendimentos nos postos de saúde aumentaram de 130 mil para 220 mil; as visitas dos agentes comunitários de Saúde de 30 mil para 100 mil; e os exames do laboratório do hospital de 10 mil para 30 mil. “Tudo isso impede que o Hospital fique lotado, pois tratamos as doenças na Atenção Básica e atuamos na prevenção. Mas, se mesmo assim a superlotação do Regional não for resolvida, seremos obrigados a tomar posições mais drásticas em relação à pactuação com o Cone Sul”, pontuou Afonso.
 
O secretário municipal de Planejamento, Ricardo Zancan, também foi convidado para a reunião e lembrou que é necessário apoio mútuo para que a Saúde do Cone Sul melhore. “Peçam ajuda para os parlamentares. Consigam verbas para Vilhena. Nós aqui de Vilhena estamos ficando quase ‘internados’ em Brasília, ‘caçando’ recursos para a Saúde. As emendas de custeio são uma necessidade urgente e imediata. Os recursos que ajudam a gente, ajudam todos vocês”, completou.
 
 




Fonte: Folha do Sul
Autor: Da redação

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