Visitas 37886443 - Online 238

Terça-feira, 14 de Julho de 2020

Educação

29/05/2020 16:44:00

Diretor do campus da Unir em Vilhena assegura que acadêmicos não perderão o semestre por causa da pandemia de Covid-19

 
Elder Gomes Ramos disse que a instituição estudo adotar o ensino a distância
 
Com aulas presenciais suspensas desde 18 de março por causa da pandemia do Coronavírus, acadêmicos da Universidade Federal de Rondônia (Unir) temem perder o semestre e cobram da instituição a oferta de aulas a distância. O diretor do campus Vilhena da instituição, Elder Gomes Ramos, informou que a Unir está fazendo um estudo sobre a possibilidade de retomada das aulas na modalidade Ensino a Distância, e assegurou que os alunos não irão perder o semestre, seja qual for a decisão tomada. “Os alunos estão preocupados, é normal, encontro alguns que me perguntam – ‘professor, a gente perdeu o semestre?’ – e a eles digo que o semestre não está perdido, quando for possível voltar a gente vai fazer um calendário pós-pandemia que irá suprir essa necessidade”, assegurou Ramos.
 
De acordo com o diretor, em reunião no último dia 14 de maio, entre a reitoria e diretores de todos os campi, foi acertado que cada unidade irá realizar um levantamento sobre as condições para a implantação do Ensino a Distância (EaD). A decisão, com base nos estudos, será tomada em uma nova reunião agendada para a segunda quinzena de junho.
 
De acordo com o Ramos, a decisão pelo EaD somente será implantada se todos os campi oferecerem condições aos seus alunos. “A Unir é uma universidade única, só que ela é multicampi, quer dizer que pra Porto Velho voltar, todos os demais campi têm que voltar. Se um campus não puder voltar, nenhum dos outros campi vai poder voltar”, explicou.
 
Ramos enumerou algumas dificuldades para o retorno às atividades em formato EaD. “Primeiramente, a legislação: os nossos cursos respeitam uma legislação própria dos cursos presenciais, regulamentado por portaria do Ministério da Educação. O sistema EaD tem legislação própria”, pontuou o diretor, antes de continuar: “O que pode acontecer se a universidade começar a fazer EaD, sendo que ela é 100% presencial? Lá pra frente, quando o aluno se formar, o diploma desse aluno pode não ter validade nenhuma. Por que? Porque a gente foi contra uma legislação específica que dizia – vocês são 100% presenciais”.
 
O diretor seguiu enumerando: “Além disso, tem a situação dos nossos alunos. Temos um público carente muito grande. Temos alunos que não têm acesso a internet. Temos alunos com necessidades especiais, alunos surdos, alunos cegos; que a gente tem que pensar como atender no sistema EaD. Temos alunos que estão passando por dificuldade sócio-econômica, tanto que o campus Vilhena da UNir está distribuindo cestas básicas para esses alunos. Temos alunos da zona rural. Alunos indígenas. Se a gente entra no sistema EaD prejudicando esses alunos, nós vamos estar sendo injustos”, disse.
 
Ramos ainda citou a necessidade de especialização dos professores para atuação no EaD. “A legislação do Ensino a Distância exige que os professores tenham esta especialização. E tudo isso está em análise”, informou.
 
Acadêmico do curso de Comunicação Social, Renato Spagnol está no sétimo período e integra o grupo dos favoráveis à retomada das atividades de maneira virtual. “Acredito que a legislação não seja diferente apenas para o curso de jornalismo. Em instituições privadas,  cursos de medicina, direito e engenharia civil, entre outros, aderiram ao formado EeD de ensino. Por qual motivo o curso de Comunicação Social fica impedido? Em março, o MEC autorizou ensino a distância em cursos presenciais para amenizar os prejuízos causados pela pandemia do novo coronavírus. IFRO, por exemplo, aderiu”, argumentou.
 
O acadêmico pontuou ainda que os alunos indígenas e moradores de comunidade rural sem acesso à internet em casa, não podem ser usados como uma espécie de barreira para não implantar o sistema EeD. “Entendo que estão numa situação de mais vulnerabilidade, mas a universidade precisa criar mecanismos para possibilitar que eles tenham acesso ao conteúdo. Inclusão é o nome dado a isso. Isso não é algo irrealizável”, disse o futuro comunicólogo,  citando como exemplo universidades públicas de São Paulo e Rio de Janeiro, que distribuíram chips de celulares e modem portátil por USB para alunos com maior vulnerabilidade social. “Penso que a instituição Unir não pode ter uma relação de mãe com o quadro de funcionários e uma postura de madrasta com o corpo estudantil”, verbalizou.
 
O diretor do campus Vilhena apontou que das 69 universidades federais espalhadas pelo Brasil, apenas seis delas aderiram ao sistema EaD. “E essas universidades são menores, não no quesito alunos, mas em unidades. A Unir tem oito unidades, oito campi, cada um com a sua particularidade”, frisou.
 
Se há um grupo de alunos que cobra a implantação do ensino a distância neste momento de impossibilidade de aulas presencias, outro defende que o retomada das atividades se dê apenas quando for possível aulas presenciais.
 
Engrossando o coro dos que preferem a retomada das aulas apenas quando for possível fazê-lo da forma costumeira, com alunos e professores em sala, está a acadêmica do oitavo período de administração, Suzane Schmitka. “Então, eu sou do time que se formaria agora em julho. “Embora seja ruim adiar a formatura, eu creio que esperar a volta das aulas presenciais seja a melhor ideia, porque a UNIR é uma instituição de ensino que tem campi em todo o Estado. O campus daqui pode não estar passando por uma crise tão grande, mas o restante do Estado está. A reitoria fica em Porto Velho, onde estão a maioria dos casos (da Covid-19)”, pontuou Suzane Schmitka, acadêmica de Administração.
 
Para Schmitka, uma retomada das atividades acadêmicas na modalidade ensino a distância poderia prejudicar alguns alunos. “As aulas online não chegariam a todos os alunos, ainda mais os de menor renda familiar. Então, acredito que será melhor manter o isolamento e voltar de onde paramos”, argumentou.
 
Como citou o diretor do campus Vilhena, Elder Gomes Ramos, uma decisão sobre como se dará a volta às aulas da Unir, somente será conhecida após a reunião agendada pela reitoria para a segunda quinzena de junho. Até lá, tudo fica como está. 
 
 




Fonte: Folha do Sul
Autor: Rogério Perucci

Newsletter

Digite seu nome e e-mail para receber muitas novidades.

SMS da Folha

Cadastre seu celular e receba SMS com as principais notícias da folha.