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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2020

Geral

21/09/2020 10:40:00

Generosidade de vilhenenses pode estar alimentando prática viciosa de pedintes, revela secretário de Assistência Social

 
Muitos usam crianças para comover a população e receber ajuda
 
Na semana passada, a reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE procurou o secretário municipal de Assistência Social de Vilhena, Rafael Nunes Reis, a fim de informar a população sobre como se dá o atendimento aos moradores de rua da cidade e aos imigrantes que são vistos  frequentemente pedindo ajuda nos semáforos e portas de agências bancárias.
 
Rafael, que prontamente compareceu ao site, deu detalhes muito importantes relacionados à vinda e estadia dos imigrantes ao município, e que além de não serem de conhecimento da população, que realizam doações a essas pessoas, fazem toda a diferença na vida e rotina dos pedintes e moradores de rua.
 
De acordo com Rafael, apesar da população passar por essas pessoas e muitas vezes julgar a administração pública por acreditar que elas estão desamparadas, não há em Vilhena nenhum morador de rua ou imigrante que não esteja sendo acompanhado pelo Centro de Referência de Assistência Social (Creas). O secretário explicou que existe uma grande diferença entre uma pessoa que mora nas ruas para uma que está em situação de rua e de um pedinte.
 
Segundo o servidor, em Vilhena atualmente só há um morador de rua, que perambula pela avenida Major Amarantes, pois ele possui família em Ji-Paraná e se recusa a voltar para lá, mesmo a prefeitura custeando sua passagem. O homem tem problemas com álcool e alega que ganha mais dinheiro aqui, uma vez que o vilhenense é muito generoso.
 
Já os demais que são vistos nas praças e calçadas não são moradores de rua, e sim estão em situação de rua, pois possuem familiares no município, mas por também, serem alcoólatras, se recusam a voltar para casa.
 
“Muitos já devem ter visto algumas pessoas alojadas em calçadas ou praças, mas estas possuem familiares no município e apenas se negam a receber ajuda, pois já as levamos para casa e elas retornam por serem alcoólatras”, afirmou Rafael.
 
Já com relação aos venezuelanos que também são encontrados nos sinais de trânsito, Rafael afirmou que todos estão cadastrados no CREAS e quando chega uma nova família, imediatamente o órgão busca saber mais informações sobre esta.
 
Quando questionado sobre a realidade de tais imigrantes, Rafael revelou que nem tudo é o que o vilhenense vê, pois essas pessoas acabam fazendo da situação de pedinte suas profissões, chegando a depositar diariamente em suas contas pessoais, mais dinheiro do que se pode imaginar.
 
“Hoje abordei uma família com crianças no semáforo da BR-174 com a Sabino Bezerra de Queiroz, que estão hospedados em um hotel de Vilhena há quatro dias”, relatou o assistente social.
 
Rafael declarou, também, que muitos venezuelanos já possuem moradia fixa no município, porém, se recusam a receber ofertas de emprego por parte da assistência, uma vez que ganham mais nos sinais, e que normalmente as mulheres saem para pedir enquanto os homens ficam em casa.
 
“Esses dias fui até o imóvel de uma família venezuelana que acompanho, e na casa só estavam os homens, pois as mulheres e crianças tinham saído para pedir dinheiro nas ruas, uma vez que, para com elas, as pessoas são mais generosas”, afirmou Rafael.
 
Já com relação aos haitianos, o servidor afirmou que a situação é bem diferente, pois estes, além de virem em busca de trabalho e não de esmolas, são “pau pra toda obra”, aceitando qualquer emprego que lhes oferecerem, já tendo muitos chegado ao município passando fome e hoje estarem bem.
 
“Não quero acabar com a generosidade dos vilhenenses, que segundo os imigrantes que acompanhamos, é muito boa e nem desmerecer a situação dessas pessoas que realmente perderam tudo o que tinham em seu país, porém, quero solicitar para que antes fazerem doações, as pessoas nos procurem e se informem sobre a realidade daquela família, porque ela pode estar se negando a sair dessa vida”, relatou o servidor.
 
Por fim, Rafael afirmou que caso seja de interesse do imigrante, a prefeitura custeia as passagens da família para onde afirmarem que querem ir, porém, há muitos que vão e voltam, por não conseguirem arrecadar em outros municípios o que ganham em Vilhena só pedindo nos sinais.
 
“Já houve casos de pedintes que compraram motocicleta só agindo dessa forma e hoje há em Vilhena famílias já instaladas e vivendo dessa prática, através da qual acabam ganhando mais do que muitos trabalhadores formais”, concluiu.
 
Apesar de nos países de origem de alguns imigrantes as vezes ser considerado comum, no Brasil, usar crianças para comoção social na hora de pedir ajuda é considerado trabalho infantil, que segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é crime e pode ser denunciado não somente para a Polícia Militar, através do 190, como para o Conselho Tutelar ou diretamente ao Creas, através do numero 3322-3399.
 
 




Fonte: Folha do Sul
Autor: Da redação

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