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Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

Geral

22/01/2020 12:22:00

MEMÓRIA: agente penitenciário que será velado hoje denunciou o crescimento de facções criminosas em Vilhena

 
“Elas têm a particularidade de cometerem crimes em busca de ‘respeito’. Matam por nada”
 
Morto ontem, após duas semanas lutando pela vida na UTI do Pronto-Socorro de Cuiabá (MT), o agente penitenciário Juraci Santos Duarte concedeu, em fevereiro do ano passado, uma entrevista ao jornal FOLHA DO SUL, na qual explicava a escalada da violência em Vilhena.
 
Com a autoridade de quem já havia dirigido o maior complexo penal do Cone Sul, Duarte, 40 anos, cujo corpo será velado hoje, em Vilhena, relacionava a criminalidade crescente na maior cidade da região à influência de duas grandes facções: CV e PCC.
 
Confira abaixo, na íntegra, a reportagem que ainda hoje é atual, já que o problema não mudou de lá pra cá.
 
  
Fortalecimento de facções aumentou violência em Vilhena: PCC e CV fazem “terrorismo”

 
“São criminosos que agem para demonstrar força, matando sem motivo”, revela ex-diretor de presídio
 
 
O número de assaltos à mão armada, homicídios, latrocínios e crimes relacionados em Vilhena disparou nos últimos 5 anos. Apesar de muitos relacionarem o fenômeno com a construção do presídio na cidade, dados podem apontar uma causa diferente na escalada violenta: a disputa de poder e “respeito” das organizações Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).
 
Saindo de 30 para mais de 60 por ano, o número de homicídios assustou os vilhenenses nos últimos anos. A sensação de insegurança cresceu na mesma proporção, enquanto muitas medidas deixaram de ser tomadas para impedir este movimento.
 
Sofrendo com baixo efetivo, a Polícia Militar tem dificuldade de cobrir todo o município com patrulhas 24 horas. Por sua vez, o presídio dispõe de um scanner corporal de raio-x avaliado em R$ 4 milhões, mas que está desativado. As dificuldades parecem ainda mais preocupantes com a falta de motivação dos profissionais das forças de segurança, que organizam até mesmo greves e paralisações.
 
“O aumento do crime em Vilhena está relacionado ao fortalecimento e estabelecimento das organizações do crime, como o PCC e o CV. Na cidade elas têm a particularidade de cometerem crimes em busca de ‘respeito’. Matam por nada. Isso é mais próximo de terrorismo do que de crime com objetivo financeiro”, analisa Juraci Santos Duarte, agente penitenciário e ex-diretor do Centro de Ressocialização Cone Sul.
 
Para ele, o poder público “fechou os olhos” para a Segurança nos últimos anos e deixou que as organizações passassem a comandar todas as unidades prisionais do Estado, com destaques negativos próximos de Vilhena, inclusive, como Cerejeiras, Costa Marques, São Francisco e outros.
 
“O presídios viraram os quartéis generais do crime, tanto que 90% das ocorrências acontecem a mando de detentos”, revela Duarte.
 
Entre as soluções apontadas pelo agente estão a unificação das bases de dados das forças de segurança, o reforço dos trabalhos de inteligência, leis mais rígidas e estruturar um sistema prisional mais eficiente.
 
Atualmente há cerca de 300 detentos no presídio local e quase 100 na Casa de Detenção.
 
 CIDADE PACÍFICA?
Orgulhoso da segurança de sua cidade, o vilhenense começa a ficar triste em ver o “Portal da Amazônia” ser tomado por pichações de organizações criminosas, além de ter de tomar precauções adicionais para sua segurança nas ruas. Ainda assim, os números das autoridades mostram que a maioria esmagadora dos casos violentos envolve apenas aqueles que estão no seio do crime e pouco atingem os moradores em geral.
 
 
 




Fonte: Folha do Sul
Autor: Herbert Weil

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