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Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

Cotidiano

18/01/2020 11:28:00

OPINIÃO: “A maior cidade do Cone Sul convive diariamente com um flagelo que está levando ricos e pobres ao inferno”

 
*Dimas Ferreira
 
Em diversas ocasiões, a FOLHA DO SUL alertou sobre o pior flagelo na maior cidade do Cone Sul: o tráfico e o consumo de drogas que, segundo policiais experientes, estão por trás dos mais bárbaros crimes cometidos em Vilhena, incluindo aí execuções sumárias.
 
Hoje pela manhã, na Unisp, constatei ao vivo e em cores a extensão desta tragédia cotidiana: um grupo de garotos, entre eles uma menina que não deveria passar de 13 anos, flagrados na madrugada bebendo e fumando –drogas lícitas, mas apenas para maiores. O caminho natural deles é o passo seguinte: entorpecentes ilegais, que trazem consigo a morte, de uma forma ou de outra.
 
E que ninguém imagine que o avanço das drogas ocorre por leniência da polícia: ao contrário, os agentes da lei se esforçam, prendem e fecham “bocas”. Mas, para cada ponto de venda desativado, surgem três ou quatro outros na sequência.
 
O que as mães daqueles menores passaram hoje, indo buscar os filhos na polícia, acreditem, não é tão ruim quando comparado com o drama de outras mulheres, que vão ao necrotério reconhecer os corpos dos seus, crivados de balas.
 
Esse negócio lucrativo à custa da desgraça alheia não conhece limites: espalha-se pela classe média, onde gente bem nascida está se desgraçando no crack, a “pedra da morte”. E nem tem regras: comprou e não pagou, o débito é cobrado com sangue.
 
O que todo mundo se pergunta, e ninguém sabe responder, é: o que fazer? Sim, porque mesmo com repressão dura e algumas ações educativas e sociais leves, a situação só piora. Basta um rolê pela noite vilhenense, para se encontrar pobres se acabando no entorpecente barato, em risca-facas e bailes funk improvisados, e ricos se matando com drogas sofisticadas, em festas bacanas.
 
Já que não se consegue combater o mal pela raiz, bem que se poderia pensar numa opção pós-tragédia: clínicas que ajudem a recuperar os infelizes que desceram ao inferno do vício. Pelo menos para os miseráveis, pois são eles que matam para sustentar a dependência.
 
Os poucos que encaram este desafio, no entanto, estão praticamente sozinhos, precisando mendigar ajuda para tentar salvar os que ainda aceitam o tratamento.
 
É triste... muito triste!
 
*Dimas Ferreira é editor do FOLHA DO SUL ON LINE
 
 




Fonte: Folha do Sul
Autor: Dimas Ferreira

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