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Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020

Geral

31/07/2020 16:07:00

OPINIÃO – A pandemia avança e a irresponsabilidade também. Vamos todos pagar um preço alto, e com vidas!

 
*Dimas Ferreira
 

Há pacientes que passaram pelo Hospital Regional de Vilhena, sobreviveram à Covid-19 e elogiam o atendimento; há outros,  cujos parentes morreram na unidade vitimados pela doença, e que falam horrores do serviço oferecido.
 
Seja lá como for, a eficiência ou a incompetência dos gestores hospitalares será premiada ou punida, nas urnas ou pelo Ministério Público. O falatório, a favor e contra da maior unidade de saúde do Cone Sul de Rondônia, é legítimo, mas antigo: vem desde que estreei no Jornalismo local, há quase 30 anos.
 
Durante a pandemia, que já levou duas dezenas de pessoas da cidade para a cova, é salutar discutir, além do sistema que acode quem está doente, também o comportamento da sociedade local. Não para atribuir culpa a ninguém, sobretudo os que perderam suas vidas nesta luta desigual contra um vírus praticamente desconhecido.
 
Transformado em guerra ideológica, a ponto de as redes sociais virarem campos de batalha, onde sobram coices na defesa e no ataque à cloroquina, o combate à pandemia esbarra na falta de firmeza das autoridades e na irresponsabilidade de alguns cidadãos.
 
Enquanto se discute se é preciso lacrar ou arreganhar o comércio, moças e rapazes que se acham imunes ao vírus se reúnem em animadas festas regadas a bebidas, drogas e sabe-se lá mais o quê. Todo mundo avisa, mas os alertas entram por um ouvido e saem por outro.
 
O fato é que todos já perceberam que o vírus vem se multiplicando em quantidade e velocidade assustadoras em Vilhena. Bem verdade que a maioria dos atingidos apresenta apenas sintomas leves (às vezes nem sentem nada) e não precisam de internação.
 
Em compensação, os mais velhos ou as pessoas com alguma comorbidade, infectados pelos próprios parentes relapsos, correm sérios riscos de baixarem na UTI e saírem de lá no caixão.
 
Também causam prejuízos as centenas de homens e mulheres que precisam ficar afastados do trabalho após testarem positivo. Quem paga a conta desta falta de noção de alguns, já que o contágio está diretamente ligado a comportamentos descuidados?
 
Por questão de justiça, lembremo-nos dos que até tentaram evitar o contágio, adotando todas as medidas recomendas, mas acabaram se tornando vítimas de uma transmissão que começa a ficar desenfreada, como admitem as próprias autoridades de saúde.
 
Hoje mesmo, havia dezenas de pessoas na fila para fazer o teste (VEJA NA FOTO) e saber se estão, de fato, com a doença. Sabem o que significa? Que os registros de novos infectados pode disparar, e transformar em péssimo o que está “apenas” ruim.
 
O que fazer? Todos nós (até os que não entendem nada do assunto) temos uma sugestão a dar: decretar lock down, multar irresponsáveis, reforçar a distribuição de ivermectina, dobrar a capacidade de leitos da “UTI Covid” são algumas das dicas. Na teoria, uma maravilha...
 
O fato é que, sem saber direito o que fazer, os mais sensatos adotam a medida que parece a mais simples, mas também pode ser a mais eficiente neste momento em que estão todos no escuro: ficam em casa, sacrificam lazer e lucro, e rogam a Deus para que a situação melhore.
 
Nem todos, no entanto, podem dar essa contribuição voluntária: é gente que não tem como praticar o isolamento social de barriga vazia e com contas a pagar. O arriscado comportamento desses, expondo ao perigo para sustentar suas famílias, é até compreensível, dado o desespero...
 
Mas, e quem nada tem a fazer nas ruas, e permanece zanzando de comércio em comércio, com máscara no pescoço e achando que os alertas não passam de exagero?
 
Resumindo: nessa toada, em breve a única UTI para atender dezenas de milhares de pessoas estará entupida de pacientes em estado grave. E, aí, quando chegarmos a este dramático estágio, a cidade terá que fazer na marra aquilo a que se negaram alguns de seus cidadãos negligentes. Mas, o preço em vidas já estará pago. E será caríssimo!
 
*Dimas Ferreira é editor do FOLHA DO SUL ON LINE
 
 
 




Fonte: Folha do Sul
Autor: Dimas Ferreira

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