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Segunda-feira, 21 de Setembro de 2020

Cotidiano

13/09/2020 08:24:00

Queimadas e pandemia: vilhenenses que já sofriam com asma agora penam com fumaça e uso de máscaras

 
“Antes de alguém colocar fogo no que quer que seja, pense em quem sofre com falta de ar”
 
Nos últimos meses, além de rondar por aí um inimigo invisível, que tem como foco principal atacar as vias respiratórias e colocar as pessoas que já sofrem com problemas pulmonares no grupo de risco, há também um bem visível que dificulta ainda mais a situação, não somente para quem já possui problemas pré-existentes, como para todos: a fumaça causada pelas queimadas.
 
Em Vilhena, a situação não é diferente dos demais municípios do Estado (e por que não dizer do país): os focos de queimadas diários tem agravado o clima seco, que faz todo mundo dormir e acordar com a sensação de que a temperatura só aumenta. Porém, para pessoas que sofrem de asma, a sensação é bem pior, como relata a motorista Solange Lopes da Costa, de 47 anos, moradora do Setor 12, de Vilhena.
 
“Quando estou em crise, sinto como se estivesse dentro de um caixão, pois não consigo me mexer e, por mais que eu puxe o ar, é como se ele não existisse”, relatou a motorista.
 
Solange, que sofre de asma a cerca de 20 anos, afirma que no último mês tem feito uso de duas medicações diferentes (bombinhas) para controlar a crise, que já dura 30 dias, devido ao excesso de fumaça no ar.
 
Como as crises que sofre só passam com a aplicação de uma medicação específica em ministrações hospitalares, Solange tem tentado remediar a situação como pode, através de inalações e ingestão de chás, além dos medicamentos específicos, os quais ela jamais pode ficar sem, a fim de evitar se dirigir até à emergência do Hospital Regional, uma vez que faz parte do grupo de risco na contaminação do novo Coronavírus.
 
“Minhas crises respiratórias são piores ao cair da tarde, mas antes eu fazia uso de uma bombinha e conseguia controlar. Porém, com a situação do jeito que está, em que a cidade amanhece e anoitece coberta de fumaça, estou usando duas simultaneamente e duram cerca de 15 dias”, relatou a motorista.
 
A situação vivida por Solange não é diferente da que enfrenta a professora Ana Luiza Souza Nascimento, de   43 anos, que também passou a  sofrer de crises asmáticas já na fase adulta e que vê sua situação se agravar com as queimadas, tendo que medir a oxigenação sanguínea constantemente e manter repouso para evitar internações.
 
“Eu estava a um tempo considerável sem crise, mas foi só começarem as queimadas que tive que passar a fazer uso da bombinha de resgate constantemente e a tomar corticoide para conseguir respirar melhor”, relatou a professora.
 
Como se a situação já não fosse agoniante o suficiente, Solange e Ana Luiza precisam conviver com algo que para elas é um sufoco ainda maior, que são as máscaras de proteção.
 
Se para quem não possui problemas respiratórios o uso da máscara somado à fumaça é insuportável, imagine para os asmáticos, que sofrem com a sensação de falta de ar o tempo todo.
 
“Essa fumaça está me matando e o uso da máscara é um tormento, por isso já evito sair de casa, porque o uso dela por um longo período já me coloca em crise asmática também”, relatou Ana Luiza.
 
Já Solange, que também se sente sufocada quando tem que usar máscara, deixou um apelo para a população: “Antes de alguém colocar fogo no que quer que seja, pense em quem sofre com falta de ar, porque é muito triste e de todas as secas, esta é a que mais estou sofrendo”.
 
Asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, que reduz a passagem de ar, causando sintomas como tosse, falta de ar, chiado e aperto no peito. A fala ofegante e a impossibilidade de fazer qualquer esforço físico é natural para o asmático, porém, as normas de segurança da pandemia e a poluição do ar causada pelas queimadas, tem tornado a vida destes um sufoco ainda maior.
 




Fonte: Folha do Sul
Autor: Leir Freitas

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