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Domingo, 28 de Novembro de 2021

Covid-19

21/11/2021 10:37:00

Com mãe e duas tias mortas por Covid, estudante de medicina luta na justiça contra padrasto que sobreviveu à doença

 
“Considero-me uma pessoa forte e empenhada, foi isso que a minha mãe me ensinou: a ser forte nos momentos difíceis”
 
O estudante de medicina André Gustavo Siqueira, de 22 anos, que em março deste ano perdeu a mãe e duas tias vítimas da Covid-19, e viu o padrasto, Edimir Guimarães, ficar dias intubado em um hospital de Cuiabá (MT), também em decorrência da mesma doença, tem enfrentado dias difíceis desde que assumiu a empresa como inventariante, já que o padrasto estava impossibilitado de gerir a firma em virtude de estar enfermo.
 
Durante a internação do padrasto, rumores surgiram acusando André Gustavo de querer fechar a empresa e demitir os funcionários, ao ponto de o padrasto gravar um vídeo desautorizando o enteado a tomar tal decisão e pedindo que a empresa fosse mantida aberta (LEMBRE AQUI).
 
Esta semana, André Gustavo procurou a redação da FOLHA DO SUL ON LINE para, pela primeira vez, dar a sua versão sobre o assunto.
 
O estudante lembra que chegou em Vilhena no dia 05 de março, e lamentavelmente sua mãe faleceu no mesmo dia (CONFIRA AQUI). Ele sofreu também a perda de duas tias pela mesma doença num curto espaço de tempo. 
 
“Eu tive que vir para tocar a empresa, pois minha mãe, meu padrasto e minha tia, que trabalhavam juntos, estavam em tratamento em Cuiabá,  todos com Covid. No dia que eu cheguei, 05 de março, minha mãe e duas tias minhas faleceram devido a complicações da Covid. Foi um momento bem difícil pra mim e toda a minha família. E eu precisei ser forte e assumir a empresa no momento que meu padrasto estava intubado”, lembra. 
 
O jovem conta que após assumir a empresa, os irmãos de Edimir, seu padrasto, começaram o levar uma série de demandas e a questioná-lo como inventariante. “Depois de alguns dias, os irmãos do meu padrasto, como eu posso dizer? Eles cresceram o olho em cima da empresa. Na verdade eles não estavam dando prioridade à vida do meu padrasto, e sim aos bens que ele possuía. E começaram a travar uma guerra contra mim e minha família”, verbalizou o estudante.
 
Sobre o vídeo gravado pelo padrasto, André Gustavo nega as acusações feitas por Edimir e disse acreditar que ele tenha sido manipulado pelos irmãos. “Meu padrasto estava em recuperação, eles se aproveitaram dessa fragilidade, e gravaram um vídeo com ele me depreciando, falando mal de mim, falando que eu estava sendo uma pessoa irresponsável em relação à empresa, às finanças, querendo deturpar a minha imagem e da minha família”, afirmou o jovem, que disse ainda que o vídeo contribuiu apenas para afetar ainda mais o movimento da empresa: “As pessoas passaram a ter uma visão negativa da empresa. Sabiam que estava em uma situação delicada de conflito, e isso só foi se intensificando cada vez mais”, lamenta.
 
No final do mês passado, uma decisão judicial removeu André Gustavo da posição de inventariante e nomeou Edimir Guimarães, que até então estava curatelado pelos irmãos enquanto enfermo. 
 
“Os irmãos dele, de forma estratégica, retiraram a curatela e pediram ao tribunal que ele fosse declarado inventariante, o que foi acatado”, explicou o jovem, que não recorreu da decisão: “Como eu já passei por momentos difíceis esse ano com a perda da minha mãe e das minhas tias, tive que me afastar dos meus estudos para me dedicar à empresa neste momento difícil quando ele (o padrasto) não podia administrar, decidi por não recorrer”, ponderou.
 
Em meio a tudo isso, Edimir e os irmãos abriram uma nova empresa e transferiram para ela todo o estoque de plantas e mobiliário do Viveiro Guimarães. “Alguns funcionários falavam mal da empresa, dentro da empresa, em horário de expediente, falavam para os clientes não virem mais ao viveiro. Eles já tinham a intenção de se mudar daqui. Como o viveiro estava em um imóvel que não pertence a empresa, e sim a minha família, então eles queriam se mudar daqui”, ponderou André Gustavo assegurando que tem registros sobre as afirmações que fez quanto às ações dos funcionários: “Eu tenho registros de tudo isso ai, registro de documentos, de câmeras e testemunhas”.
 
Sobre a nova empresa do padrasto, André Gustavo afirmou: “Eles abriram uma nova empresa, mas em termos legais está complicada, porque teve confusão patrimonial, eles criaram um novo CNPJ, mas nas publicidades é como se a empresa Viveiro Guimarães tivesse mudado de endereço, apenas. Além disso, tiraram todo o acervo que estava no Viveiro Guimarães e levaram pra lá, se recusam a fazer prestação de contas, se recusam a fazer qualquer acordo”, pontuou.
 
André Gustavo disse à reportagem que sempre manteve com o padrasto um relacionamento de respeito, e que não esperava que ele agisse dessa forma.
 
Sobre o futuro, André Gustavo disse que pretende retomar os estudos e concluir o curso de medicina, que era também o sonho de sua mãe. “Considero-me uma pessoa forte e empenhada, foi isso que a minha mãe me ensinou: a ser forte nos momentos difíceis”.  
 
 




Fonte: Folha do Sul
Autor: Rogério Perucci

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