Foram discutidas três propostas, mas pressão popular sobre parlamentares venceu
A sequência de reuniões e projetos que envolveram o debate sobre a iluminação de Natal em Vilhena revela que a Câmara Municipal de Vereadores rejeitou propostas de orçamento pequeno, intermediário e elevado e que o LED da Prefeitura reciclado desde 2017 já se deteriorou para ser usado este ano.
As informações organizadas pelo jornal FOLHA DO SUL ON LINE após entrevistas com a Fundação Cultural de Vilhena, o Gabinete do Prefeito, vereadores, colegas da imprensa e assessores do Executivo e Legislativo mostram o histórico da problemática decorativa que levou Vilhena a ficar sem luzes natalinas em espaços públicos em 2021.
O INÍCIO DE TUDO
A polêmica começa ainda em 2019, quando a Prefeitura de Vilhena optou por reaproveitar materiais adquiridos em 2017, que já tinham sido usados também em 2018, e, com ajuda de doações metálicas e trabalho voluntário, instalou uma modesta decoração natalina na praça Nossa Senhora Aparecida.
O presépio e os piscas-piscas foram motivo de chacota nas redes sociais. A maioria dos internautas criticou, exigindo investimento maior e valorização do Natal (CONFIRA AQUI)
Em 2020, a pandemia, as mortes de Covid-19 e as restrições de aglomerações arrefeceram o espírito natalino. A decoração de 2017 foi novamente reaproveitada e recebeu novos itens com luminárias antigas recicladas da avenida Melvin Jones (VEJA AQUI), que ganhou LED naquele ano. O investimento reduzido durante o auge da pandemia não gerou críticas
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AS QUATRO PROPOSTAS
O histórico é importante para compreender as contradições da situação. Neste ano, com projeto feito em agosto, o debate sobre o tema começou em setembro e durou diversas reuniões. Foi informado aos vereadores que o LED de 2017 reaproveitado já por várias vezes não funcionava mais e, portanto, a contratação de uma empresa para fazer a iluminação era necessária. A Prefeitura levou até os vereadores a proposta inicial, com investimento previsto de R$ 1,8 milhão, para diversas ruas e avenidas, praças, rotatórias e enfeites gigantes.
No entanto, ainda em setembro, os vereadores solicitaram redução no projeto. Refeito o orçamento, o projeto foi protocolado em 04 de outubro na Câmara com valor de R$ 770 mil, objetivando iluminar a avenida Major Amarante, duas praças e algumas rotatórias. Em uma reunião pública das comissões, com presença da imprensa, os vereadores receberam do Gabinete do Prefeito a opção de, caso considerassem este valor ainda alto, decorar a praça Nossa Senhora Aparecida e a avenida Major Amarante com R$ 457 mil, em um arranjo modesto, porém concentrado no mesmo ponto.
Ambas as propostas, tanto a mais barata como a intermediária, foram rejeitadas em prol do pedido unânime dos vereadores, puxados por Pedrinho Sanches (Avante) e Zeca da Discolândia (PSD): “o projeto deve ser maior, abrangendo mais avenidas da cidade”. Seguindo os pedidos de trechos solicitados, a Prefeitura solicitou novo orçamento, acrescentando as extensas avenidas Brigadeiro Eduardo Gomes, Melvin Jones e Paraná. O menor valor conseguido com as empresas foi de R$ 1,195 milhão, e a média das três cotações ficou em R$ 1,3 milhão. O projeto foi então reenviado com a alteração no dia 18 de outubro.
PROJETO REPROVADO
O acréscimo de R$ 425 mil em relação aos R$ 770 mil foi visto pelo vereador Dhonatan Pagani (PSDB) como exagero. O jovem parlamentar mobilizou as redes sociais para criticar o projeto, contra o pedido dos comerciantes, que se organizaram em manifestações na Câmara solicitando a aprovação da iniciativa (ENTENDA AQUI).
Com a polêmica estabelecida, os demais vereadores começaram a se manifestar rejeitando a proposta e acabaram emitindo até mesmo dois pareceres de comissão contrários à matéria. Devido a isso, a proposta nem deveria ter ido à votação no plenário, mas após uma votação para levar o projeto à apreciação, os vereadores colocaram a iluminação de R$ 1,195 milhão em debate na tribuna com discursos acalorados.
Os vereadores Sargento Damassa (PROS), Zeca da Discolândia, Zezinho da Diságua (PSD), Professora Vivian (PP), Dhonatan Pagani e Pedrinho Sanches votaram contra. Já os vereadores Ronildo Macedo (PV), Samir Ali (Podemos), Wilson Tabalipa (PV) e Zé Duda (PSB) manifestaram voto favorável ao projeto. Placar final 6x4 contra a iluminação.
ALUGUEL OU COMPRA?
A discussão girou em torno também do aluguel ou compra dos equipamentos de decoração natalina. Servidores da Prefeitura e organizadores de eventos admitem: a durabilidade de piscas-piscas é pequena e o pagamento de uma empresa para fornecer a iluminação nem sempre significa maior custo, pois a instalação por funcionários públicos também impõe um custo de hora trabalhada ao poder público. Ou seja, as dezenas de servidores que passariam 45 dias fazendo a montagem também são remunerados e o custo disso deve ser levado em conta, visto que não estariam trabalhando em outros pontos da cidade.
“A FESTA ACABOU, A LUZ APAGOU”
Sem projeto de R$ 457 mil, nem de R$ 770 mil, muito menos de R$ 1,195 milhão ou R$ 1,8 milhão, Vilhena amarga um Natal sem praças para as famílias brincarem sob as luzes de Natal. Da decoração de anos anteriores, já deteriorada pelos anos de armazenamento com umidade e calor, restam apenas as estruturas metálicas, que precisam ainda de reforma. Campanhas de arrecadação de garrafas pet são sempre sugeridas, porém nunca iniciadas por nenhuma entidade, considerando o serviço imenso necessário.
Arrependidos, e observando agora as críticas daqueles que desejavam a cidade iluminada (CONFIRA AQUI), alguns vereadores já procuraram a Prefeitura para tentar elaborar algo de última hora, improvisado mesmo, para que a data não passe em branco. Porém, segundo o Executivo, não há mais tempo hábil para produzir ou contratar algo.
Faltando 10 dias para o Natal, a Prefeitura compensará o “apagão” com um grande e tradicional evento organizado anualmente pela Secretaria Municipal de Assistência Social, o Natal Feliz, a ser realizado na tarde do dia 22 de dezembro, no ginásio municipal Jorge Teixeira.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 15 de Dezembro de 2021, às 09:23