“Depende da própria pessoa usar a fé que pratica para fazer o bem ou o mal”
O FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou, na manhã deste sábado, 14, o chef de cozinha Alexandre Perazzoli, após ele publicar textos sobre Umbanda nas redes sociais e aparecer com trajes usados nas cerimônias desta religião de matriz africana.
Morando há menos de um ano em Curitiba (PR), o vilhenense de 36 anos que era formado em Educação Física e depois se graduou também em gastronomia, explicou como se tornou praticante da Umbanda.
Perazzoli, que também já foi espírita, conta que ao sair para jantar com uma amiga na capital paranaense sentiu “uma energia” e, só após passar a frequentar um terreiro, descobriu que estava sentindo a presença de seus “guias”.
“Guias são espíritos que nos acompanham desde que a gente nasce”, explicou, acrescentando que o terreiro que frequenta pratica apenas a “linha branca”, ou seja, não faz trabalhos para prejudicar ninguém.
“Lá, a gente acende velas e dá passe, que é um ritual para limpar as energias negativas das pessoas. Também atuamos em ações sociais, como por exemplo arrecadar alimentos e distribuir para famílias carentes”, revela.
TEM MACUMBA DO BEM E DO MAL
Alexandre esclarece que, embora no terreiro onde será batizado em breve não haja trabalhos para prejudicar ninguém, em outros essa prática realmente acontece. Neste caso, os praticantes aproveitam os conhecimentos adquiridos nos terreiros e fazem até sacrifícios de animais em outros locais para causar mal a outras pessoas.
DIREITA E ESQUERDA
O cozinheiro esclarece que, ao contrário do que acontece na política, as entidades de “direita e esquerda” que existem na Umbanda são invocadas para fazer o bem pelos adeptos da “linha branca”, mas também para causar sofrimento, pelos que militam na “linha preta”.
O entrevistado cita duas divindades africanas para esclarecer quem é de cada espectro espiritual: “Exu é de esquerda e Ogum é de direita, mas cada praticante decide se usará para o bem ou para o mal”, argumentou.
PRECONCEITO
Num país majoritariamente cristão, Perazzoli conta que enfrenta discriminação desde que resolveu expor sua nova crença no Facebook: alguns familiares ou bloquearam, amigos deixaram de falar com ele e até candidatas a namorada refugaram, alegando que Umbanda é “coisa do capeta”.
“O mal existe no ser humano, seja de qual religião for. Depende da própria pessoa usar a fé que pratica para fazer o bem ou o mal. Saravá para você”, encerrou a entrevista, lembrando que já considerou pejorativo o termo que, segundo ele, é apenas um agradecimento.
Fotos
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 14 de Maio de 2022, às 10:10