“Sindsul não tem papel de representatividade nenhum. É zero”
 
Ao subir na tribuna para a sua fala, a vereadora professora Vivian Repessold (PP) exibiu cartaz com os dizeres “Nota de desaparecimento, procura-se nossos PCCS”. A parlamentar, que já foi aliada de Eduardo Japonês (PSC), tendo inclusive ocupado a Secretaria de Educação, não tem poupado críticas ao ocupante da cadeira do Palácio dos Parecis.
 
“Nós estamos desesperadamente à procura de saber qual foi o destino que tomou o PCCS do município de Vilhena. Se alguém tiver alguma informação, os servidores de Vilhena pagam bem. Pagam com serviço de qualidade e atendimento garantido. Mas, para isso precisamos saber que fim tomou o PCCS que a tanto tempo vem sendo falado pelo Executivo e que virou isso, ninguém sabe quando vai ter fim”, verbalizou o iniciar a sua fala.
 
E não parou por aí: Repessold declarou que os vereadores serviram de palhaços no que, nas palavras dela, “foi encenação proporcionada pelo prefeito Eduardo Japonês” quando da entrega do PCCS à Câmara de Vereadores.
 
“Nós servimos de palhaços. O prefeito veio com uma comitiva aqui, marchando pelo paço, com o PCCS de forma fictícia debaixo do braço. Fez uma encenação maravilhosa na frente dos vereadores, da imprensa e dos seus escolhidos. Entregou o PCCS e falou em R$ 30 milhões de investimento no servidor público. Mas, quando foi a tarde, recolheu o plano. E até hoje nós estamos a procura dele, e não temos nem notícia, nem sabemos aonde ele está”, declarou.
 
A vereadora afirmou ter recebido denúncia de que uma comissão formada por servidores do Executivo teria sido montada para fazer o plano do servidor público.
 
“Inclusive, esses servidores estariam desenvolvendo esse plano na Secretaria de Educação, no horário de trabalho. Então, eu estou averiguando isso para ver qual a veracidade”, ponderou.
 
As críticas da vereadora não se restringiram apenas ao prefeito Eduardo Japonês. Ela mirou também no Sindicato dos Servidores Públicos Municipais do Cone Sul de Rondônia (Sindsul) que afirmou ter “representatividade zero” e sugeriu a desfiliação dos servidores da entidade sindical. 
 
“Mais admirada eu fico ainda que toda classe tem um sindicato que a representa. Nós temos aqui o Sindsul. Não sei pra quê. Acho que é só pra descontar R$ 53 do bolso do servidor. Porque não tem papel de representatividade nenhum. É zero. Inclusive eu convido a todos vocês que são filiados no Sindsul a se desfiliarem. Eu deixo aqui o convite à vocês: procurarem o sindicato e se desfiliem. Porque o servidor público aqui de Vilhena, pelo Sindsul não tem representatividade”.
 
Por fim, a vereadora lembrou do aumento dado aos servidores da Educação pelo Governo Federal em janeiro e que até o momento, em Vilhena, a categoria não recebeu nenhum centavo a mais.
 
"Nós já estamos em 03 de maio, e o prefeito, simplesmente por birra, por picuinha, ainda não deu autorização para fazer o repasse aos servidores da Educação. Quando ele der, se é que ele vai dar a autorização para esse repasse, o Imposto de Renda toma a metade”, afirmou, antes de concluir: “eu acho que o prefeito se colocou na posição de aviso prévio e, realmente, cruzou os braços para o que está acontecendo em Vilhena”, disse, aparentemente se referindo à cassação de Japonês, que luta na justiça para manter o cargo.
 
Em nota duríssima enviada ao FOLHA DO SUL ON LINE, o sindicato citado (e atacado pela vereadora), acusou a parlamentar de usar seu mandato para promover “balbúrdia” (CLIQUE ABAIXO e leia na íntegra):
 
NOTA DE REPÚDIO

O SINDSUL-SINDICATO DOS SERVIDORES MUNICIPAIS DO CONE SUL DE RONDÔNIA, entidade classista de primeiro grau inscrita no CNPJ sob o N° 15.893.266/0001-88, com sede na Rua Deofé Antônio Geremias, Nº 359, Bairro Jardim América, Vilhena – RO

Vimos por meio desta, manifestar com veemência o nosso repúdio às falas da vereadora Vivian Repessold, durante a 10ª sessão ordinária do dia 03 de maio de 2022. Em sua fala, a edil usou a tribuna para atacar diretamente este Sindicato, solicitando inclusive a desfiliação dos servidores municipais. Um ato covarde que foge das competências legislativas, que são elaborar e fiscalizar a atuação do Executivo e a burocracia, discutir e aprovar leis municipais, assim como acompanhar a aplicação das mesmas. Considerando que a vereadora em questão é professora e representava a Secretaria de Educação, e que, o diálogo entre a mesma e o sindicato sempre foi favorável, até o rompimento da mesma com o atual prefeito. Vemos o ato como ataque politiqueiro, como o intuito de causar balbúrdia. Sendo assim, ela tem usado a tribuna da Casa de Leis, lugar onde grandes nomes já se fizeram presentes, apenas para causar desordem.

Queremos lembrar que a liberdade de expressão é um benefício que poucos sabem usar. O desmerecimento, com certeza é um erro.

A Câmara é o espaço onde o cidadão vê sua cidadania sendo exercida, com abertura para o debate e acompanhamento público. Ao vereador cabe, além das funções burocráticas, acolher e intermediar as necessidades e a aplicabilidade dos recursos, não havendo espaço para o desserviço social que é requerer aos trabalhadores a desfiliação da entidade que lhes representa há três décadas. Nossa gestão é responsável e atuamos com transparência, dentro da legalidade e da cordialidade. Dentro dos trâmites para qualquer acordo está a NEGOCIAÇÃO, e estamos cientes das nossas atribuições sindicais. Queremos que a vereadora tenha ciência de suas competências também, e as exerça da melhor forma, não fazendo uso de seu mandato, sua voz, e, principalmente, de espaço público para resolver questões de desafetos pessoais, o que fere inclusive, as demandas da Casa, não sendo produtivo ou favorável para a população, que nada ganha com esse ato lamentável.

Em nome do direito à educação para a democracia, solicitamos que essa Casa de Leis tome as medidas necessárias para que esse ato receba a sanção necessária e não volte a acontecer.
No aguardo do pronto atendimento, antecipamos votos de estima e consideração.

A diretoria