Prima do parlamentar foi nomeada com salário superior a R$ 30 mil
 
O vice-presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Vilhena, Dhonatan Pagani (Podemos), tem pelo menos seis familiares que foram nomeados neste ano em órgãos públicos municipais, estaduais e federais comandados por aliados políticos próximos.
 
Contra a nomeação de parentes em cargos de confiança, o parlamentar chegou a apoiar resolução pública assinada em cartório por ex-prefeito condenando o nepotismo e “favorecimento de família”, além de ser ferrenho crítico de deputado vilhenense que fez o mesmo.
 
Em consulta aos portais de transparência de diversos órgãos públicos, um leitor do FOLHA DO SUL ON LINE chegou à conclusão que Pagani tem primo, primas, esposa, cunhada e padrasto atuando em órgãos públicos, todos nomeados neste ano, após a eleição ou reeleição de aliados políticos próximos. A soma dos salários recebidos pelos cinco que têm seus salários divulgados, em maio, chegou a R$ 43,7 mil.
 
Além da esposa, E. G., nomeada no gabinete do deputado federal e aliado Fernando Máximo (União Brasil) e da cunhada, V. G., nomeada na Secretaria Municipal de Trânsito de Vilhena, Pagani teve ainda denunciada a “nomeação” de seu padrasto J. C. T. como funcionário na Saúde municipal, através da terceirizada Santa Casa de Misericórdia de Chavantes, contratada Pelo prefeito Delegado Flori, prefeito de Vilhena e aliado de Pagani.
 
 Funcionários da empresa confirmaram a informação, embora a lista de contratados pela Chavantes para a Saúde pública vilhenense não esteja disponível para consulta.
 
Outros três familiares de Pagani estão distribuídos no Governo do Estado. As primas J. Pagani F. e G. Pagani F. estão na Superintendência de Licitação de Rondônia e Casa Civil, respectivamente. J. foi nomeada em janeiro deste ano e G. em abril. Esta última tem salário superior a R$ 30 mil. Já A. Pagani F., primo de Dhonatan, está desde janeiro de 2023 no Gabinete do Governador.
 
CONTRADIÇÃO
Em 2018, Pagani era comissionado na Câmara de Vilhena e fez questão de apoiar, posando para foto, resolução do então candidato a prefeito Eduardo Japonês, que assinou documento reconhecido em cartório contra o nepotismo. O termo “Nepotismo Zero” afirmava que "privilegiar uma família é uma forma de tirar das pessoas da cidade o direito à democracia plena" e que a feitura do documento foi motivada "pelos mesmos desejos de indignação de muitos, que vêem os poderosos aproveitarem as regalias do poder enquanto aqueles que precisam da atenção do poder público sofrem e são humilhados".
 
Já em 2021, em vídeo gravado na Câmara de Vereadores, Pagani condenou a nomeação da esposa de Marcelo "Boca", então secretário municipal de Obras de Eduardo Japonês, no gabinete do deputado estadual Luizinho Goebel. Na época, insinuou que a nomeação servia apenas a interesses pessoais e políticos. Questionou ainda se os cargos de ambos não eram utilizados para favorecer “os chegados” que iriam ajudar em campanha.
 
Curiosamente, hoje a esposa de Pagani está nomeada em um gabinete de deputado aliado. Além disso, logo no primeiro mês de mandato, em 2021, Dhonatan nomeou sua irmã por afinidade, N. M., filha de seu padrasto, diretamente em seu gabinete na Câmara de Vereadores. Após a denúncia do FOLHA DO SUL ON LINE à época, Pagani afirmou que a nomeação não tinha "nenhum problema", mas, mesmo assim, a exoneração da irmã foi publicada no dia seguinte.
 
O OUTRO LADO
A resposta de Pagani para esta situação foi dada em entrevista que o FOLHA DO SUL ON LINE publica na sequência, daqui a pouco