“A mais pura verdade é que ninguém sabia se na área tinha ouro ou não”
Um dia antes de desaparecer no rio Guaporé, onde duas embarcações se chocaram na noite do último sábado, 16, o operador de escavadeira Nirceu Pinheiro Jardim (FOTO) enviou para um amigo em Matupá, cidade de Mato Grosso onde deixou esposa e dois filhos, uma série de áudios, nos quais relata a situação de abandono em que estava vivendo (ENTENDA O CASO).
Este amigo foi entrevistado pelo FOLHA DO SUL ON LINE, que teve acesso a três das gravações, e contou que ficou no mesmo local, onde funciona um garimpo de ouro, até o mês de janeiro. Nirceu chegou em fevereiro, mas a equipe que estava lá também foi embora, já que a terra não dava ouro, como se pensava.
O responsável por explorar a área é um boliviano que, segundo o entrevistado, mora na cidade de Cerejeiras. “O Nirceu ficou lá sozinho, sem locomoção, sem apoio, sem nada, ficou lá ao Deus dará, enquanto o boliviano passeava pelo Brasil tentando trazer mais gente. Não deu apoio nenhum para ele”, dispara o ex-garimpeiro.
“A mais pura verdade é que ninguém sabia se na área tinha ouro ou não; todo mundo veio numa promessa de que teria ouro, e não tinha nada. O Nirceu ficou aguardando na promessa do dono do garimpo de que ele daria continuidade na extração do ouro, com uma outra equipe”, acrescenta o entrevistado.
Num dos áudios, Nirceu relata o ataque de uma onça que matou sua cadelinha “Maraca”, uma vira-lata que era a única companhia que ele tinha naquele lugar isolado. Além das privações até para se alimentar, ele enfrentava grandes perigos na selva, e se preparava até para matar o felino, que poderia devorá-lo também (OUÇA ABAIXO).
Em outra gravação, a mais curta, o mato-grossense parece se conformar com a situação e, mesmo enfrentando uma rotina duríssima, demonstra bom humor ao enviar a mensagem para o ex-colega de trabalho (CLIQUE ABAIXO e escute)
Diante da falta de resultados nas buscas, o entrevistado cogita vir com uma equipe de mergulhadores de Mato Grosso para tentar encontrar o amigo perdido -de preferência ainda vivo. No terceiro áudio, Jardim também fala do abandono, mas demonstra esperança de que outro garimpeiro chegue para trabalhar e lhe fazer companhia (CONFIRA ABAIXO).
“Revoltante é que o patrão fez promessa que não conseguiu cumprir... mentiu, né? E quando oferece alguma coisa manda um irresponsável bêbado levar o coitado para o Brasil, e nisso matou ele”, deixa escapar o entrevistado, num ato falho, se preparando para o pior.
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Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 19 de Março de 2024, às 15:36