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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2018

Saúde

29/06/2010 08:55:16

CANTEIRO DE RODOVIA VIRA ABRIGO PARA SEM-TETO EM VILHENA

O gramado da beira da BR 364, nas proximidades da estação rodoviária de Vilhena, aos poucos se transforma em abrigo para pessoas que não têm onde morar. No local, vários moradores de rua conseguem deitar e passar a noite, num cenário de abandono que se confunde com insegurança. Segundo um dos moradores, naquela área já aconteceram   atropelamentos de andarilhos alcoolizados, já que a rodovia federal que fica ao lado é bastante movimentada. Os entrevistados não têm mais famílias. Eles mesmos admitem que não têm mais nada o que perder. A maioria diz não temer a morte. Na noite do sábado, dia 26/06/10, por voltas das 22h00min o  WWW.folhadosulonline.com.br foi até as proximidades do abrigo improvisado, onde constatou a presença de alguns andarilhos. Três deles não quiseram dar entrevista, e os dois que falaram ao site usavam cobertores para enfrentar o frio da madrugada e o vento provocado pelas carretas que trafegam pelo local. Além dos agasalhos, os sem-teto também amontoam outros itens no gramado: sacos, cordas, lençóis sujos, garrafas de refrigerantes, latinhas e frascos de bebida “enfeitam” o ambiente.

Segundo o depoimento de Luiz Maximiniano Domingas, nascido em Caxias do Sul (RS), de 59 anos (que na foto aparece sentado), conhecido entre os companheiros como “Gaúcho”, a vida ao relento não é fácil. Com os olhos cheios de lágrimas e sob o efeito de álcool, o homem conta que já teve carteira assinada, trabalhou como operador de máquinas pesadas e hoje sobrevive de pequenas esmolas. Luiz diz que está separado da esposa há dez anos e virou andarilho justamente após a crise conjugal. Hoje, a ex-esposa vive com o capataz da fazenda que o empregava, em Tangará da Serra (MT).

Já outro sem-teto, identificado apenas por “Baxim”, afirma não gostar muito do contato com a imprensa. Ficou irritado certa vez, quando foi flagrado com alguns “corotes” de pinga e ocupando o coreto de uma praça em Porto Velho. “Baxim” diz que bebe cachaça porque não tem uma ocupação, é pedinte de dinheiro e afirma que a sociedade é boa, nunca faltou no seu bolso as moedinhas que sustentam seu vício. O andarilho diz que já foi peão de rodeio e ganhou vários prêmios, mas que com seu uso exagerado do álcool foi perdendo as forças pelo inchaço das juntas. Aagora está com artrose e não lhe resta outra coisa a fazer senão se embriagar “para esquecer o passado”. Após uma frustrada separação conjugal, a falta de apoio dos filhos e as “broncas” dos pais evangélicos, “Baxim”, de 38 anos, há 8 largou tudo e encontrou “apoio” dos companheiros que vivem no trecho, assim como ele.





Fonte: FS
Autor: Irenaldo Malta

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